Arritmia dá dor no peito? Causas, sinais e quando ir ao pronto-socorro
Postado em: 26/01/2026

A dor no peito pode ter várias origens — musculares, digestivas, emocionais ou cardiovasculares. Entre as causas cardíacas, destaca-se a arritmia, quando o coração bate de formaacelerada, lenta ou irregular. Em alguns casos, essa alteração do ritmo pode gerar desconforto ou dor torácica.
A cardiologista e arritmologista Dra. Vanessa Puche reforça que identificar quando a arritmia está associada à dor no peito é essencial para buscar avaliação no momento adequado e prevenir complicações.
O que é arritmia cardíaca?
O coração possui um sistema elétrico que coordena cada batimento. Quando ocorre uma falha nesse sistema, o ritmo pode se tornar acelerado, lento ou irregular, caracterizando uma arritmia cardíaca.
Essas alterações podem comprometer o bombeamento de sangue e gerar sinais como palpitações, tontura, falta de ar e, em alguns casos, dor no peito.
Afinal, arritmia dá dor no peito?
Sim. Algumas arritmias podem desencadear dor torácica, especialmente quando o ritmo inadequado aumenta o esforço do coração ou reduz o fluxo sanguíneo para o corpo.
É importante lembrar que nem toda dor no peito está relacionada à arritmia, por isso a avaliação médica é fundamental para definir a causa correta.
Tipos de arritmias que podem causar dor no peito
Algumas arritmias têm maior potencial de provocar dor no peito devido à velocidade excessiva dos batimentos, à irregularidade do ritmo ou à redução do fluxo sanguíneo.
Taquicardia supraventricular (TSV)
Episódios repentinos em que o coração dispara e passa dos 100 bpm. Isso pode causar palpitações, mal-estar e dor no peito, especialmente porque o aumento da frequência acontece de forma muito rápida.
Fibrilação atrial
Ritmo totalmente irregular, que reduz a eficiência do bombeamento do coração. Pode gerar dor torácica, falta de ar, cansaço e aumento do risco de acidente vascular cerebral (AVC).
Taquicardia ventricular
Arritmia grave, com batimentos rápidos e descoordenados. Pode desencadear dor torácica intensa, tontura, queda de pressão e desmaio. Exige atendimento imediato.
Bradicardias
Quando o coração bate devagar demais, o fluxo de sangue diminui, podendo gerar fraqueza, tontura e dor no peito. Em casos sintomáticos, pode ser necessário implante de marcapasso.
Sintomas que podem acompanhar a dor no peito
Quem apresenta arritmia cardíaca pode notar:
- Palpitações;
- Tontura ou sensação de desmaio;
- Falta de ar;
- Fraqueza;
- Sensação de ansiedade repentina;
- Suor frio.
Em arritmias graves, pode haver perda de consciência. Mesmo que os sintomas passem, a investigação médica é indispensável.
Causas de arritmia que podem provocar dor no peito
Diversas condições podem desencadear arritmias associadas à dor torácica, como:
- Doença arterial coronariana;
- Hipertensão arterial;
- Distúrbios eletrolíticos;
- Doenças valvares;
- Apneia do sono;
- Consumo excessivo de álcool, cafeína e energéticos;
- Estresse físico ou emocional;
- Infarto prévio;
- Doenças genéticas;
- Miocardite.
Como é feito o diagnóstico?
Para investigar se a dor no peito está relacionada à arritmia, podem ser realizados:
- Eletrocardiograma (ECG): registra o ritmo cardíaco no momento;
- Holter 24h ou 7–14 dias: identifica arritmias intermitentes que acontecem até esse período de tempo;
- Looper implantável: útil para sintomas esporádicos acima de 30 dias;
- Ecocardiograma: avalia estrutura e função cardíaca;
- Teste ergométrico: detecta arritmias desencadeadas pelo esforço;
- Exames laboratoriais: analisam eletrólitos, tireoide e condições metabólicas.
Quando o episódio não ocorre durante a consulta, a monitorização prolongada aumenta a chance de registrar o evento.
Tratamento da arritmia que causa dor no peito
O tratamento depende do tipo de arritmia, da causa e da gravidade dos sintomas.
Ajustes no estilo de vida
Reduzir o consumo de álcool, cafeína e estimulantes, tratar a apneia do sono, controlar a pressão arterial e manter um peso adequado.
Medicamentos
Incluem antiarrítmicos, fármacos para controle da frequência cardíaca e anticoagulantes, especialmente na fibrilação atrial.
Procedimentos
A cardioversão elétrica pode restaurar o ritmo normal, enquanto a ablação por cateter elimina focos elétricos anormais.
Dispositivos cardíacos
Em alguns casos, o tratamento envolve dispositivos cardíacos, como o marcapasso, que corrige batimentos lentos; o desfibrilador implantável (CDI), indicado para arritmias graves; e a terapia de ressincronização cardíaca (TRC), utilizada para melhorar a coordenação dos batimentos em pacientes com insuficiência cardíaca.
Cirurgias cardíacas
Indicadas em casos específicos, como valvopatias, cardiopatias congênitas ou outras alterações estruturais que favorecem arritmias. O objetivo é controlar a arritmia, aliviar sintomas e prevenir complicações.
Quando ir ao pronto-socorro?
Procure atendimento urgente se houver:
- Dor no peito forte, súbita ou persistente;
- Batimentos muito rápidos ou descontrole do ritmo;
- Falta de ar intensa;
- Tontura importante ou desmaio;
- Sintomas novos em quem já tem doença cardíaca;
- Taquicardia sustentada por vários minutos.
Perguntas frequentes sobre arritmia e dor no peito
Para ajudar a esclarecer as dúvidas mais comuns, respondemos às perguntas que os pacientes geralmente fazem no consultório:
1. Arritmia sempre causa dor no peito?
Não. Muitas formas de arritmia cardíaca são assintomáticas ou provocam apenas palpitações. A dor no peito surge quando a alteração no ritmo afeta o fluxo de sangue ou aumenta o esforço do coração.
2. Ansiedade pode causar arritmia e dor no peito?
Sim. A liberação de adrenalina pode acelerar os batimentos e gerar sensação de arritmia ou desconforto torácico, mas é importante descartar causas cardíacas.
3. Quem tem arritmia pode fazer exercício físico?
Depende do tipo de arritmia e do tratamento. A prática deve ser liberada por um cardiologista.
4. Energia, café ou pré-treino podem desencadear arritmia com dor no peito?
Sim. Estimulantes podem atuar como gatilhos para arritmias e, em algumas pessoas, causar palpitações ou dor torácica.
Seu coração merece atenção especial
Se você percebeu palpitações, episódios de arritmia ou dor no peito, não espere. A Dra. Vanessa Puche, especialista em arritmias cardíacas, está preparada para oferecer uma avaliação detalhada e segura.